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4 de outubro de 2018

Os alunos da Escola Estadual José Fernandes de Melo, em Pau dos Ferros, já não são os mesmos desde que a instituição recebeu o Projeto de Inovação Pedagógica (PIP), de iniciativa do Governo do Estado, Secretaria de Educação e Banco Mundial. O crescimento nos índices de aprovação e envolvimento dos estudantes foi um dos resultados alcançados, mas se tornou um pequeno detalhe diante da inclusão social promovida pelo projeto dentro da escola.

A vida de Matheus Costa (19), que sofreu paralisia cerebral ao nascer e tem deficiência auditiva, foi uma das que mais mudou. Os alunos criaram um Clube de Libras para aprender a se comunicar com ele e hoje o grupo tem mais de 100 frequentadores. Matheus ganhou amigos e, como ele mesmo diz através da linguagem de sinais, deixou de ser invisível.

“Quando cheguei na escola era excluído, ficava isolado, também não conseguia aprender o conteúdo. As pessoas não sabiam falar comigo. Hoje elas não me veem mais como surdo e sim como pessoa. Agora tenho coisas para fazer na escola, fiz muitos amigos e me envolvi nas atividades. Participo de tudo como cidadão e aluno”, diz Matheus, que contou com a ajuda do amigo e colega de classe João Tássio (18) para traduzir a linguagem de libras durante a entrevista.

Além do Clube de Libras, onde está aprendendo a se expressar, interagir e dando os passos para realizar o sonho de voltar à escola como professor da disciplina, Matheus também integra o grupo de teatro da escola, que este ano começou a se apresentar com o “Monólogo de uma sombra – a (in)visibilidade como ela é”, fruto do PIP e inspirado em sua história. A peça ganhou o 1o lugar regional na 1a Mostra de Cultura e Arte do RN e já foi apresentada na Ufersa (Pau dos Ferros) e em Natal.

“A gente se inspirou na história de Matheus, que era excluído na escola, para contar muitas outras de gente que se sente invisível, como o gay, o negro, o mendigo, a mulher vítima de violência e provocar uma reflexão”, conta João Tássio. Matheus diz que se sentiu feliz de receber a oportunidade de representar um papel e deixou de ser invisível. “Mesmo surdo eu tive voz. E fiz muitos amigos”, acrescenta.

O monólogo foi apresentado nesta segunda-feira (1) aos secretários Vagner Araújo (Sethas), Tatiana Mendes (Gabinete Civil) e gerente executiva do projeto Governo Cidadão, Ana Guedes, que fizeram uma visita à escola. Além da peça, os alunos recitaram poesias e cordéis e apresentaram as atividades desenvolvidas com a chegada do PIP, como aulas de campo, reforço escolar, incentivo à leitura, entre outras.

“É muito gratificante vir aqui e ver resultados tão fantásticos como este. Isso só nos dá ainda mais estímulo para continuar lutando para levar o PIP ao maior número de escolas possível”, disse Vagner após a apresentação da peça. A José Fernandes recebeu de recursos de R$ 45 mil, fruto do acordo de empréstimo com o Banco Mundial, para desenvolver um PIP voltado para cultura corporal e lazer.

Diretora da escola desde 2017, Marta Bethânia conta que os resultados do PIP são significativos. A evasão escolar que era de 21% em 2015, caiu para 11% ano passado; o nível de aprovação subiu para 68% e o envolvimento dos estudantes com a escola contabilizou 90%. “O PIP trouxe projetos que sonhávamos há muito tempo, mas que sempre esbarravam na questão financeira. Agora conseguimos realizar e o retorno é incrível”, comenta.

Sobre o PIP

O Projeto de Inovação Pedagógica está mudando a realidade das escolas do Rio Grande do Norte. Atualmente, foram executados ou estão em execução 397 PIPs, que estão beneficiando 176 mil alunos em toda a rede e somam investimentos de quase R$ 13 milhões, com recursos do Banco Mundial.

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